Bitcoin bate recorde de preço na Argentina

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Peso argentino

O Bitcoin alcançou máximas históricas de preços em vários países da América do Sul e da Ásia. E um destaque nesse sentido foi a Argentina, junto a mercados da Ásia como Japão e Filipinas.

A máxima foi atingida depois de uma alta de 7% no acumulado da terça-feira (21). Além disso, esse patamar aproximou ainda mais a criptomoeda do seu pico em relação ao dólar.

Atualmente, o Bitcoin está na casa dos US$ 71 mil, valor que se aproxima de seu último recorde, em março deste ano, de US$ 73 mil.

Aliás, o valor atingido nesta terça-feira é o maior nas últimas seis semanas. Além disso, a nova alta já fez a criptomoeda superar recordes em relação a outras moedas fiduciárias.

Por fim, a criptomoeda também se aproximou dos recordes batidos em meados de março em alguns países. Nesse caso, a lista inclui o Reino Unido, Noruega, Turquia, Taiwan, Coreia do Sul, Canadá, Chile, Egito, Israel e Índia.

Alta de Bitcoin na Argentina reflete inflação local


Um país onde o Bitcoin atingiu seu pico foi a Argentina. Afinal, o ativo alcançou o valor de 63,8 milhões de pesos argentinos na última terça-feira (21). Esse valor passou um pouco da máxima histórica obtida em março deste ano.

Além disso, a Argentina passa por uma desvalorização da sua moeda nos últimos anos. Afinal, o país também enfrenta uma alta inflação, atualmente na casa dos 290%.

Portanto, para se proteger dessa inflação altíssima, os argentinos estão recorrendo à compra de Bitcoin, em vez de trocar pesos por dólares.

Isso coloca um ponto final à estratégia que levou a uma Argentina tão propensa a crises. Aliás, o país sul-americano é um dos maiores paraísos para a moeda americana.

A Argentina agora também é um dos países que mais adota o Bitcoin no mundo. Afinal, a criptomoeda é uma forma encontrada pelos argentinos para sobreviver à instabilidade de sua moeda.

Além disso, o presidente Javier Milei tem se esforçado para implementar sua “terapia de choque”, tentando revitalizar a economia. No entanto, ainda não conseguiu cumprir um de seus principais objetivos de campanha, que é a dolarização da economia local.

Portanto, em meio a esse cenário, a troca de pesos por dólares, que era a principal forma de refúgio dos argentinos, perdeu seu apelo.

Afinal, a taxa de câmbio paralela usada comumente cresceu 10% em relação ao dólar. Por outro lado, o Bitcoin subiu quase 60% em relação à moeda norte-americana. As duas taxas são relativas aos últimos dois meses.

Bitcoin se fortalece em relação às stablecoins na Argentina


Na semana que terminou em 10 de março, a Lemon registrou quase 35.000 transações de clientes para comprar Bitcoins. Esse valor representa o dobro da média semanal do ano passado.

A Lemon é a plataforma local de criptomoedas mais popular entre os clientes de varejo da Argentina. Por fim, esse comportamento se igualou a de clientes em outras bolsas do país, como a Ripio e a Belo.

Segundo o executivo-chefe da Belo, Manuel Beaudroit, o volume de Bitcoin e Ethereum, na carteira digital da plataforma, aumentou em dez vezes até o momento, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Aliás, segundo Beaudroit, a alta do Bitcoin atraiu mais compradores, levando a uma queda na compra de stablecoins, de 70% para 60% durante esse período. As stablecoins são criptoativos geralmente atrelados a moedas como o dólar americano.

Corrida para comprar Bitcoins gera aumento de fraudes


É importante lembrar que a Argentina é um dos principais países do mundo em remessa de notas de dólares americanos.

Os argentinos que conseguem poupar detêm cerca de US$ 200 bilhões em moeda. Esse valor fica atrás apenas da Rússia e do próprio Estados Unidos. Isso aparece na análise do economista argentino Nicolas Gadano, tendo por base os dados do Banco Central.

No entanto, com a alta do Bitcoin, os argentinos viram a possibilidade de investir em um ativo que os protege bastante da inflação. Portanto, eles estão se desfazendo de algumas de suas economias em dólares para investir na criptomoeda.

Por fim, a corrida para adquirir o ativo levou a um aumento dos relatos de fraude. De acordo com a Bitcoin Argentina, desde fevereiro deste ano, os relatos de fraude cresceram cinco vezes. A Bitcoin Argentina é a principal organização não governamental do país no setor.

Como explica Gabriela Battiato, chefe do departamento jurídico da Bitcoin Argentina:

“O desespero dos argentinos para pagar as contas e não perder suas economias os leva a tomar decisões precipitadas sem medir os riscos, tornando-os presas fáceis para os fraudadores.”

Alta no Japão reflete enfraquecimento do Iene


Os dados recentes da plataforma CoinMarketCap também mostraram uma marca histórica do Bitcoin no Japão. O valor chegou a 11,2 milhões de ienes nas primeiras negociações desta terça-feira.

É a primeira vez que a criptomoeda vale mais de 11 milhões de ienes. No entanto, esse recorde também pode refletir o enfraquecimento da moeda local japonesa em relação ao dólar. Afinal, desde janeiro, o iene perdeu 10% do seu valor.

Além disso, nas Filipinas, o ativo bateu recorde de preço no valor de 4,18 milhões de pesos filipinos. Esse valor também superou a máxima anterior de meados de março.

Alta da criptomoeda liquidou quase 80 mil investidores


As recentes altas da criptomoeda acabaram liquidando 79.010 investidores, nas primeiras 24 horas desta semana. Segundo a empresa de análise de mercado Coinglass, esses investidores foram liquidados por apostarem em uma queda do Bitcoin no curto prazo.

O mercado cripto registrou um total de US$ 345 milhões em liquidações, ao todo, concentradas em posições de venda.

Por fim, o chefe de pesquisa da 10x Research, Markus Thielen, atualizou a situação do mercado no início desta semana. Thielen previu que “uma ruptura acima de US$ 67.500 poderia potencialmente levar a novas máximas históricas” no preço da criptomoeda.

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