Em evento do Banco Central, Visa apresenta plataforma de blockchain para agronegócio

Gabriel Gomes
| 6 min read

Uma solução de blockchain para agronegócio foi apresentada ao Banco Central pela Visa, famosa plataforma de pagamentos.

Conheça o LIFT


O LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas) é um ecossistema de inovação.  Sua coordenação é função da Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central e do próprio Banco Central do Brasil.

Valendo-se do apoio de empresas do setor de tecnologia, o LIFT desenvolve propostas de soluções para a aplicação da tecnologia à inovação do mercado financeiro e à prestação de serviços financeiros.

Com o LIFT, o Banco Central espera estimular a implementação de soluções que levem a inovações no setor financeiro. Além disso, devem fazer o setor mais competitivo e eficiente e promover o aumento da inclusão financeira da população brasileira.

Dos projetos apresentados por empresas participantes, são escolhidos alguns, que passam por um processo de desenvolvimento. Depois desse processo, os melhores são apresentados no LIFT Day, que, neste ano, foi realizado em 25 de abril.

Blockchain para agronegócio da Visa foi um dos destaques do LIFT esse ano

Uma das empresas participantes foi a Visa, conhecida multinacional de processamento de pagamentos, que apresentou uma plataforma financeira projetada para pequenas e médias empresas do setor agrícola.

As finalidades do projeto incluem permitir a interconectividade entre moedas, viabilizar a expansão das oportunidades disponíveis para os produtores agrícolas e colaborar para o aperfeiçoamento dos processos operacionais deles.

Trata-se de uma solução criada por uma parceria da Visa com as empresas de tecnologia Agrotoken, Microsoft e Sinqia.

Agrotoken tem solução de Blockchain para agronegócio no Brasil desde o ano passado


A Agrotoken é uma startup argentina que começou suas operações brasileiras no final do ano passado, quando abriu um escritório em São Paulo.

Ela é conhecida por ter criado um token com seu nome, lastreado pela produção de grãos de empreendimentos rurais, que podem usar o ativo digital na obtenção de crédito para suas atividades.

As vantagens dessa abordagem incluem liquidez para o produtor rural, um novo ativo lastreado em um bem físico, para os investidores e, para ambas as partes, a segurança nas transações trazida pelo emprego de criptografia.

A Microsoft, claro, é um dos gigantes da informática e dos produtos eletrônicos. A empresa foi fundada na década de 1970 por Bill Gates e Paul Allen, responsável por produtos famosos como o Windows, o Microsoft Office, o Microsoft 365 e o Xbox.

Já a Sinqia é uma empresa brasileira de soluções de software para o mercado financeiro surgida em 1996 com o nome de Senior Solution. Processa bilhões de transações diárias e presta serviços a centenas de instituições financeiras no Brasil, inclusive bancos e fintechs.

Diversos outros projetos foram apresentados no LIFT


No total, no LIFT Day, foram apresentados nove projetos. Um deles é fruto de uma colaboração entre o banco digital Capitual e a empresa de soluções financeiras TecBan.

O projeto tem o fim de integrar o Real Digital, atualmente em fase de testes, à Internet das Coisas (IoT, da sigla para o nome em inglês Internet of Things) para aprimorar a realização de operações financeiras.

A Internet das Coisas tem por fim ligar dispositivos, sensores, veículos, aplicativos, eletrodomésticos e outros itens usados pelas pessoas para poderem comunicar-se entre si e com a internet.

Além disso, atua coletando e trocando informações e análises de modo que possam detectar e atender necessidades dos usuários ou serem controlados por estes remotamente.

O Real Digital é uma moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês), ou seja, uma forma de moeda digital emitida por banco central de um país, o brasileiro neste caso.

Ele tem seu valor respaldado pelo governo, no que se distingue de criptomoedas como o Bitcoin, que são descentralizadas e não possuem respaldo governamental. Se passar nos testes, deve ser disponibilizado mais amplamente ao público no próximo ano.

Armários inteligentes também chamaram no LIFT day


O projeto do Capitual e da TecBan criou armários inteligentes, que funcionam como cofres que liberam pagamento por uma encomenda depois da retirada desta pelo usuário, que deve informar o código da compra.

Essa solução tecnológica usa uma rede privada baseada na rede Ethereum, uma das mais usadas por desenvolvedores de aplicativos descentralizados (DApps) e contratos inteligentes, como os utilizados pelos armários inteligentes para validar as transações.

O Chief Technology Officer (diretor de tecnologia), do Capitual, Jefrey Santos, que também é um dos fundadores do banco, afirmou que o projeto é uma forma de garantir a segurança de transações comerciais com o uso de criptografia.

Ademais, também deve garantir, com o uso de contratos inteligentes baseados na tecnologia blockchain, a confiança de todas as partes envolvidas em compras online.

Além disso, explicou Santos, trata-se de um passo à frente na exploração das possibilidades do Real Digital como forma de aperfeiçoar processos B2B (Business to Business, ou seja, “de empresa para empresa”) e B2C (Business to Consumer, ou seja, “de empresa para consumidor”), disponibilizando melhores serviços.

Itaú é outra empresa que apresentou projeto blockchain interessante no LIFT day


Um dos projetos apresentados no LIFT Day com relação direta com as criptomoedas é a plataforma de blockchain apresentada pelo banco Itaú.

A plataforma servirá para armazenamento e negociação de stablecoins atreladas a moedas fiduciárias como o real e o dólar, que deve funcionar à moda dos aplicativos descentralizados de finanças e poderá reduzir as barreiras de entrada no mercado cripto.

Devido a sua capacidade de facilitação da interoperabilidade entre moedas, em breve, ela poderá ser integrada ao Real Digital, o qual foi o tema unificador da LIFT Challenge, processo de escolha dos projetos a serem desenvolvidos para apresentação no LIFT Day.

O líder do Laboratório de Inovação Financeira e Tecnológica, André Siqueira, afirmou que os projetos apresentados no LIFT Day exemplificaram o potencial de uma moeda digital de banco central para estimular o surgimento de novos modelos de negócios.

Além disso, citou que esses novos modelos de negócios permitiram ao Banco Central a identificação de desafios a serem vencidos na implementação do Real Digital e a definir o escopo do projeto-piloto dele, que se encontra em andamento.

A tecnologia blockchain pode fornecer diversas soluções financeiras


Inovações tecnológicas como as dos projetos mencionados neste texto têm um potencial significativo para colaborar no aprimoramento da qualidade dos serviços financeiros prestados no Brasil.

Além disso, podem promover a inclusão digital dos brasileiros, muitos dos quais ainda têm pouco ou nenhum acesso aos benefícios do sistema financeiro tradicional.

As moedas digitais e suas plataformas, por exemplo, conseguem fornecer um sistema financeiro mais seguro e descentralizado, permitindo transações globais mais rápidas, eficientes e econômicas.

Ademais, as criptomoedas também oferecem a oportunidade de atingir um público mais amplo, incluindo pessoas sem acesso aos serviços bancários tradicionais. O uso de criptomoedas também pode reduzir a burocracia e os custos associados à transação de moedas tradicionais.

O blockchain, por sua vez, tem o potencial de simplificar as transações financeiras e aprimorar a segurança delas, permitindo que haja mais transparência e rastreabilidade nos processos financeiros. Essa tecnologia também pode ser utilizada para garantir a segurança de dados pessoais e transações eletrônicas, o que é fundamental para a inclusão digital.

No entanto, é importante destacar que ainda há desafios a serem superados para poder haver adoção em massa de criptomoedas e blockchain. Além disso, questões legais e de segurança poderão surgir à medida que soluções baseadas nessas tecnologias forem sendo implementadas e ganhem novas aplicações.

Em suma, as inovações tecnológicas representadas pelas criptomoedas e pelas aplicações da tecnologia de blockchain podem ter um papel transformador na prestação de serviços financeiros e na inclusão digital.

Iniciativas como o LIFT do Banco Central podem ser chaves para o Brasil acompanhar o desenvolvimento tecnológico do setor financeiro e tirar proveito de suas vantagens.

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