Preso em Florianópolis, “Faraó do Bitcoin” levava vida de luxo em SC

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Claudio Barbosa, conhecido como “Faraó do Bitcoin”, foi preso na noite da última terça-feira (26) em Florianópolis (SC).

Segundo a Polícia Federal (PF), ele é investigado por participar de um esquema de pirâmide com criptomoedas que levou a um prejuízo de R$ 4,1 bilhões em mais de 80 países.

Claudio Barbosa estava foragido há mais de um ano

A Polícia Militar de Santa Catarina havia recebido uma denúncia de que um foragido do Mato Grosso do Sul estava na região Norte da Ilha. Claudio foi abordado em um carro de luxo na praia de Jurerê Internacional.

Segundo consta, o “Faraó do Bitcoin” estava levando uma vida de luxo na capital catarinense. Além disso, ele teria removido uma tatuagem do braço e feito harmonização facial para despistar a polícia.

Defesa diz que prisão é desnecessária


O suspeito não resistiu à prisão e foi levado para a sede da PF em Florianópolis. A defesa de Claudio afirmou que a custódia cautelar é “totalmente desnecessária”. Afinal, segundo a defesa, o processo contra ele já estaria em sua fase final.

Além disso, a advogada Talesca Campara de Souza solicitou a liberdade do empresário durante a audiência de custódia. No entanto, a Justiça indeferiu o pedido.

A sessão ocorreu de forma virtual, pois o processo contra Claudio está em trâmite na cidade de Campo Grande (MS). Segundo a advogada:

“Com a manutenção da prisão preventiva, e considerando o feriado e plantão judicial, estão sendo consideradas as melhores estratégias para as medidas cabíveis para restabelecer sua liberdade.”

Por fim, a defesa do “Faraó dos Bitcoins” se pronunciou sobre as acusações contra Barbosa:

“Há uma ausência de regulação com relação ao tema criptoativos no Brasil e que as investigações ocorreram em data pretérita à Lei nº 14.478/2022, conhecida como Marco Legal dos Criptoativos.”

Operação “La Casa de Papel” desmantelou grupo em 2022


Claudio Barbosa era sócio da Trust Investing, empresa que foi alvo de investigação em 2022.

A Polícia Federal, em conjunto com a Receita, deflagrou uma operação com o nome de “La Casa de Papel” em outubro do mesmo ano. Segundo o inquérito, a ação tinha por objetivo desarticular uma organização criminosa.

Essa organização se especializou na captação de recursos de investidores ao oferecer aplicações altamente rentáveis. Por exemplo, segundo o grupo, havia oportunidades em minas de diamante, vinhos, viagens e energia.

A operação da PF iniciou após a prisão em flagrante de dois integrantes e um segurança da quadrilha, em 2021, na cidade de Dourados, no estado do Mato Grosso do Sul.

Junto com os três criminosos, a polícia encontrou US$ 100 mil em esmeraldas sem qualquer documentação comprobatória.

Prejuízo para mais de 1,3 milhão de pessoas


Com o andamento da investigação, descobriu-se que os criminosos haviam criado uma rede de seguidores e colaboradores na internet. Além disso, os prejuízos causados atingiram investidores brasileiros, europeus e em outros países da América Latina.

Por fim, descobriu-se que o esquema movimentou milhões de dólares em recursos e causou prejuízos para mais de 1,3 milhão de pessoas em todo mundo.

Além disso, segundo a PF, após executar o golpe, o grupo alegava ataques de hackers e auditorias para justificar as perdas.

Na época, o grupo tinha uma pessoa jurídica detentora de criptomoeda própria. No entanto, eles não tinham nenhuma autorização para funcionar como instituição financeira.

Criminosos ostentavam vida luxuosa nas redes para atrair investidores


Segundo a PF, os integrantes do grupo mostravam uma vida luxuosa nas redes sociais. Eles postavam fotos de viagens internacionais a Dubai, Cancún e países da Europa.

Além disso, mostravam veículos importados luxuosos, bem como ouro, roupas de grife e pagamentos de camarotes em shows. Também exibiam fotos com personalidades conhecidas.

Por fim, eles divulgavam matérias jornalísticas que contavam como eles haviam se tornado multimilionários com o negócio que divulgavam. Então, propunham ajudar as pessoas a se tornarem milionárias como eles.

Segundo os investigadores, isso tudo fazia parte da estratégia da quadrilha para atrair cada vez mais pessoas para o golpe. A empresa oferecia pacotes de investimentos a partir de US$ 15 e oferecia ganhos diários que poderiam ir de 20% ao mês até 300% ao ano.

“Faraó do Bitcoin” estava foragido desde 2022


Na operação chamada “La Casa de Papel”, desencadeada em outubro de 2022, a Polícia Federal foi às ruas para cumprir seis mandados de prisão preventiva, entre eles o de Claudio Barbosa. No entanto, ele não foi localizado e estava foragido desde então.

Na época, o “Faraó do Bitcoin” se apresentava nas redes sociais como “Diretor de Tecnologia” da Trust Investing. Além disso, dizia ser “empresário, com ampla experiência em Tecnologia da Informação, na gerência de sistemas e processos digitais”.

Além disso, Claudio havia feito negócios com Glaidson Acácio dos Santos, que ficou conhecido como o primeiro “Faraó do Bitcoin” graças à pirâmide da GAS Consultoria. Glaidson foi preso na Operação Kryptos em 2021.

Na mesma operação de 2022, outros proprietários da empresa Trust Investing foram detidos. Aliás, um dos detidos foi Patrick Abrahão, marido da cantora Perlla.

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