Notícias da semana – O que aconteceu de mais importante no mercado de criptomoedas

Pedro Augusto
| 6 min read

Notícias da semana - O que aconteceu de mais importante no mercado de criptomoedas

No fim de uma semana intensa, destacamos aqui as notícias que marcaram a cena cripto no Brasil e no mundo.

Principais notícias do mercado de criptomoedas e blockchain:

• Kraken alerta que reivindicações da SEC podem reordenar a estrutura financeira dos EUA

• Baleia cripto movimenta US$ 61 milhões em BTC após 10 anos parada

• Associação Brasileira de Bancos lança instituto para debater blockchain e ativos digitais

• Gestoras brasileiras apressam criação de fundos de Bitcoin para atender demanda

• Clube no Brasil promove a tokenização até de carros de luxo

Kraken alerta que reivindicações da SEC podem reordenar a estrutura financeira dos EUA

A exchange de criptomoedas Kraken solicitou ao tribunal dos EUA que rejeitasse as reivindicações da SEC contra ela, argumentando que isso evitaria uma “reordenação significativa” da estrutura regulatória financeira do país. A SEC processou a Kraken em novembro de 2023, alegando que a plataforma operava sem registro. Em resposta, a Kraken pediu o arquivamento da ação em fevereiro de 2024, contestando a classificação de criptomoedas como títulos.

No entanto, agora a Kraken intensificou sua defesa, alegando que a abordagem da SEC ampliaria desnecessariamente sua jurisdição. A SEC, por sua vez, argumenta que está seguindo o mandato do Congresso ao aplicar o teste de Howey para determinar se a Kraken deve se registrar. A disputa entre Kraken e SEC faz parte de um conflito maior entre reguladores e empresas de criptomoedas, incluindo Coinbase e Uniswap, que também enfrentam ações regulatórias.

“Ao aplicar o teste de Howey em sua determinação de que Kraken deve se registrar, a SEC está simplesmente seguindo seu mandato do Congresso.”

O setor cripto critica a SEC por sua abordagem, alegando que cria incerteza e prejudica a inovação. Em fevereiro de 2024, o Crypto and Financial Technology Advocacy Group processou a SEC, argumentando que suas ações excedem a autoridade estatutária, deixando a indústria em um estado de incerteza regulatória.

Baleia cripto movimenta US$ 61 milhões em BTC após 10 anos parada


Duas carteiras de Bitcoin misteriosas, contendo um total de 1.000 Bitcoins, foram reativadas após uma década de inatividade, movimentando quase todos os seus satoshis, totalizando US$ 61 milhões. Em 12 de maio, a carteira “16vRq…qjzEa” transferiu 500 Bitcoins, seguida pela transferência da mesma quantidade pela carteira “1DUJuH…NgfC5” dois blocos depois, conforme registrado pelo Blockchain.com.

Além disso, essas carteiras receberam 500 Bitcoins cada em setembro de 2013, quando a criptomoeda valia US$ 134, e agora valem 456 vezes mais. A carteira “16vRq…qjzEa” redistribuiu seus Bitcoins para várias outras carteiras, enquanto a “1DUJuH…NgfC5” ainda retém seus 500 Bitcoins. A empresa de análise Lookonchain observou a simultaneidade das transações, sugerindo que podem pertencer à mesma entidade.

https://x.com/lookonchain/status/1789599944749596795

Antes dessas movimentações, os endereços eram classificados como as 4.353ª maiores baleias de Bitcoin pela BitInfoCharts. Recentemente, uma carteira da era de Satoshi Nakamoto movimentou 687 Bitcoins, equivalentes a US$ 43,9 milhões, dividindo-os entre dois endereços.

Surpreendentemente, estima-se que 1,8 milhão de endereços de Bitcoin estejam inativos há mais de uma década, representando 8,5% do total de 21 milhões de Bitcoins possíveis. Essas carteiras acumulam cerca de US$ 121 bilhões em Bitcoin, com especulações de ativação para vendas estratégicas ou transferências para endereços mais seguros.

Associação Brasileira de Bancos lança instituto para debater blockchain e ativos digitais


A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) anunciou a criação do Instituto ABBC de Estudos Acadêmicos do Sistema Financeiro (IEASF/ABBC) para promover pesquisas e análises independentes sobre questões regulatórias, operacionais e de inovação no Sistema Financeiro Nacional (SFN). O lançamento, realizado em São Paulo, contou com autoridades do Banco Central e representantes do setor financeiro.

Associação Brasileira de Bancos lança instituto para debater blockchain e ativos digitais

O instituto visa identificar fragilidades, desafios e oportunidades para o desenvolvimento do SFN, firmando parcerias com instituições de ensino como o Ibmec. As pesquisas abrangerão inovação, segurança cibernética, ativos digitais, blockchain e inteligência artificial, com resultados apresentados aos órgãos reguladores. Jorge Sant’Anna, conselheiro da ABBC, destacou a importância de análises imparciais do mercado financeiro, enquanto Otávio Damaso, do Banco Central, enfatizou a relevância da iniciativa para a eficiência e inclusão social no SFN.

Paralelamente, a Polkadot, em parceria com o Código Brazuca, lançou um projeto de capacitação em blockchain no Brasil, selecionando 125 talentos para um curso gratuito de Web3. Em resumo, o programa inclui aulas presenciais e online, visando preparar desenvolvedores para o ecossistema Polkadot. John Rhodel Bartolomé, da Polkadot Brasil, ressaltou a intenção de promover oportunidades no setor de blockchain. As inscrições estão abertas até 4 de junho.

Gestoras brasileiras apressam criação de fundos de Bitcoin para atender demanda


O Bitcoin (BTC) registrou queda em abril e um desempenho estável em maio, mas o interesse dos investidores pela criptomoeda continua alto. Gestoras de ativos relatam um aumento na procura, especialmente de family offices, responsáveis pela alocação de grandes fortunas.

Fundos de criptomoedas existem no Brasil há seis anos, mas só recentemente receberam permissão para investir diretamente em ativos digitais, graças à resolução CVM 175. Sobretudo, a aceitação do mercado tradicional, impulsionada pelos ETFs de Bitcoin nos EUA e pelo lançamento de contratos futuros na B3, trouxe confiança aos investidores.

Gestoras brasileiras apressam criação de fundos de Bitcoin para atender demanda

A Coinext fundou a Coinext Asset e lançará o Coinext Crypto Strategy FIM IE, um fundo multimercado que investirá 100% do patrimônio em ativos digitais. Mikail Ojevan, CEO da Coinext Asset, afirma que grandes players de mercado estão interessados em exposição a criptoativos.

“Estamos falando com family offices, grandes players de mercado, todos querem ter um pouco de exposição em cripto”, afirma o CEO da Coinext Asset, Mikail Ojevan.

Na Hashdex, maior gestora de criptoativos do Brasil, houve um aumento de quase 10 mil investidores em março. João Marco Cunha, diretor de gestão da empresa, vê um grande potencial de crescimento, com investidores destinando até 5% de seus portfólios em criptoativos.

A BB Asset está expandindo sua atuação em ativos digitais, tornando seu fundo acessível ao investidor comum. Por fim, Marcelo Arnosti, estrategista da BB Asset, explica que o fundo serve como intermediário entre o interesse dos clientes e seu conhecimento limitado sobre criptomoedas, com 95% da carteira alocada em ETFs indexados ao Bitcoin.

Clube no Brasil promove a tokenização até de carros de luxo


A tokenização está transformando o mercado de luxo ao permitir que investidores adquiram frações de ativos valiosos, como carros de luxo. Embora esses investidores não possam dirigir os veículos, eles podem se beneficiar da valorização dos mesmos. Segundo a Bloomberg, carros colecionáveis valorizaram mais de 300% nos últimos dez anos, indicando um grande potencial para esse mercado.

O Clube de Valores, maior site de compra compartilhada do Brasil, inovou ao introduzir a tokenização de ativos de luxo, como a Ferrari 296 GTB. Utilizando tokens, os investidores compram partes dos bens físicos, que são administrados pela empresa. Isso torna possível a aquisição de ativos de luxo de forma acessível e digital.

tokenização
Ferrari 296 GTB

Marcas renomadas como Bugatti, Mercedes-Benz, Lamborghini e McLaren também serão tokenizadas. O token GTB-296, baseado em ERC-721, permitirá aos investidores adquirir frações desses carros, oferecendo uma alternativa de investimento promissora.

Carros clássicos, uma classe de ativos de alto desempenho, proporcionaram retornos significativos ao longo da última década, superando outras classes como arte e joias. Por fim, com a tokenização, até mesmo pequenos investidores podem adicionar carros antigos a seus portfólios, democratizando o acesso a esses ativos valiosos.

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