Ripple elogia regulação brasileira de criptomoedas

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Ripple elogia regulação brasileira de criptomoedas

A Ripple, responsável pela emissão do token XRP, elogiou os reguladores brasileiros pela sua postura em relação às criptomoedas.

Silvio Pegado, diretor da Ripple para a América Latina, comparou o tratamento que o Brasil dá à empresa ao que ela recebe em seu país de origem, os Estados Unidos:

“É uma pena que, com toda essa confusão da SEC, na qual fomos vitoriosos, a Ripple seja uma empresa americana que não consegue evoluir dentro de casa. Em alguns lugares existe uma negação, e em outros uma postura de querer saber mais e dar suporte. Por isso, o Brasil é o nosso foco número um na América Latina.”

A declaração ocorreu em meio ao anúncio dos vencedores do programa de grants (recompensas) da Ripple.

Ripple teve embate com justiça dos EUA


A Ripple tem suas razões para estar desgostosa com as autoridades dos EUA. Afinal, a empresa enfrentou problemas judiciais com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).

O foco do processo era o status do token. Afinal, a justiça concluiu que a Ripple negociava um valor mobiliário não registrado. Por isso, ficou entendido que a empresa violou as leis federais ao realizar vendas institucionais de XRP.

Em abril deste ano, a emissora do XRP teve uma notícia positiva. O tribunal confirmou uma multa de US$ 10 milhões para a empresa, mas ela se livrou de parte das alegações apresentadas pela SEC.

No entanto, ainda há alguma expectativa pela decisão final. Afinal, ainda pode haver novas penalizações com a decisão final da justiça norte-americana. O veredicto sairá nos próximos meses.

Brasil tem dois dos três pilares para criptos, segundo executivo


Para Pegado, o crescimento do mercado de criptos depende de três fatores em qualquer país. São eles: ambiente regulatório, indústrias relevantes que apoiem o tema e um ecossistema robusto de desenvolvedores.

Aliás, essa é uma linha que a Ripple promoveu institucionalmente, este mês, em sua conta do Twitter:

Para ele, já há dois dos três pilares no Brasil. Afinal, os reguladores locais não pretendem barrar inovações no setor. Além disso, instituições do mercado financeiro já se envolvem com produtos desse tipo. Por exemplo, o Itaú e o BTG têm projetos voltados à tokenização e ao desenvolvimento de stablecoins.

Portanto, faltaria apenas um ecossistema de desenvolvedores com maior dinamismo. E isso estaria por trás de projetos como o da própria Ripple. Como diz Pegado:

“O desenvolvedor tem um ciclo de vida que vai dos pequenos hackatons a ter uma boa ideia e um grant, e depois uma rodada de investimento série A para sua startup. Quando os principais players do mercado estão impulsionando isso, e trazem todo mundo para a conversa, começam a gerar demanda para os desenvolvedores continuarem crescendo.”

Empresa entregou recompensas a desenvolvedores


As declarações sobre a regulação no Brasil foram feitas em um contexto bem propício. Afinal, nesse evento, a Ripple anunciou os nomes dos desenvolvedores brasileiros que receberão grants por projetos de criptoativos.

O programa visa incentivar e apoiar projetos que enriqueçam o ecossistema Ripple. Por isso, prevê recompensas no total de 1 bilhão de tokens XRP para desenvolvedores de todo o mundo. Esse valor corresponde a US$ 500 milhões em grants.

Esta foi a primeira vez em que a Ripple constituiu uma banca para avaliar projetos de desenvolvedores brasileiros, especificamente.

Veja quais foram os projetos vencedores:

  • XRPL Elixir (US$ 10 mil), interface para XRP via APIs;
  • Cryptum (US$ 50 mil), integra o blockchain XRP a aplicações;
  • XRPL Rosetta (US$ 50 mil), explorador de dados fiduciários;
  • ThingsGo.Online (US$ 75 mil), sistema de recompensas;
  • Cointimes (grant de US$ 80 mil), plugin x-to-earn;
  • goAssets (US$ 100 mil), produto de tokenização de ativos reais;
  • Amora (US$ 100 mil), aplicativo de shopify para NFTs;
  • Vortex (US$ 100 mil), plataforma para competições e promoções customizadas;
  • xLux (US$ 100 mil), exchange descentralizada de conhecimento.

Segundo Pegado, o valor da recompensa depende do impacto que o projeto pode ter no desenvolvimento do ecossistema cripto:

“Depende de quão integrado e do tamanho do programa. Já houve grant de US$ 200 mil.”

Interesse no Drex também foi destaque


Pegado diz que a Ripple tem interesse especial nas aplicações que proporcionem interoperabilidade entre o blockchain XRP Ledger e a Hyperledger Besu.

“O governo escolheu a Hyperledger Besu, que é uma rede compatível com EVM (Ethereum Virtual Machine). O BC e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) podem desenvolver tecnologias das quais o XRP possa fazer parte.”

A Hyperledger Besu é uma rede de registro distribuído (DLT) escolhida pelo BC para ser o bloco de construção do Drex. Então, fica claro que a Ripple volta suas atenções às iniciativas ao “real digital”.

O projeto de tokenização do real, que é comandado pelo Banco Central (BC) do Brasil, teve um novo adiamento e pode ficar para 2026. No entanto, ainda há uma expectativa grande em relação ao seu impacto para a indústria de criptos no país.

Programa da Ripple será contínuo


Antes de divulgar os primeiros vencedores do seu programa de grants no Brasil, a Ripple já havia anunciado que essa iniciativa será contínua.

Ou seja, novas recompensas continuarão sendo concedidas sem um cronograma engessado. Portanto, não se trata de um concurso ou hackathon.

Isso significa que a Ripple continuará recebendo projetos para análise e decidindo se vale a pena entrar ou não com um financiamento.

A empresa promete lançar em breve uma página em português com informações sobre a submissão de projetos.

Além disso, haverá dois especialistas em blockchain brasileiros voltados à análise dos projetos. Eles responderão diretamente à empresa na Califórnia.

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