B3 começa a negociar contrato futuro de Bitcoin — Veja como vai funcionar

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A bolsa de valores brasileira (B3) lançou na quarta-feira (17) mais um veículo de investimentos em criptoativos. Trata-se do contrato futuro de Bitcoin (BIT), com negociação em ambiente regulado.

Segundo especialistas, essa nova forma de investimento agrega um novo nível de sofisticação a estratégias. Além disso, o produto é mais uma oportunidade para o investidor incluir em sua carteira exposição a criptomoedas. Também possibilitará a proteção contra a variação de preços.

B3 amplia possibilidades no mercado de criptoativos


Segundo o site da B3, esse é mais um passo no seu compromisso em atender a demanda do mercado de criptoativos. Segundo, Marcos Skistymas, diretor de produtos listados da B3:

“Produtos ligados a criptomoedas vêm sendo procurados pelos investidores. Estamos comprometidos em atender essa demanda do mercado e expandir nossa oferta de produtos, que permite diversificação de estratégias para todos os clientes, incluindo pessoas físicas.”

Aliás, para seguir a evolução e o crescimento do mercado cripto, a B3 passou a oferecer, desde 2021, produtos ligados a ativos digitais. Atualmente, já são mais de 13 ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) de criptoativos que buscam acompanhar o preço do Bitcoin.

Além disso, os contratos futuros, segundo o fundador da Foxbit, João Canhada, são uma forma a mais que os investidores têm de “acessarem e negociarem o ativo”. Ele explicou que, embora a negociação dos ETFs e contratos futuros ocorra na bolsa, eles também:

“Servem a propósitos diferentes e podem coexistir no mercado, fornecendo opções para investidores com diferentes estratégias e preferências”.

Canhada também explicou a diferença entre os dois produtos:

“Enquanto os ETFs são veículos de investimento que rastreiam o preço de um ativo subjacente, como o Bitcoin, os contratos futuros permitem que os investidores negociem a expectativa desse preço em uma data futura, sem a necessidade de possuir o ativo físico.”

As vantagens do contrato futuro


O mercado futuro é uma ferramenta que ajuda os investidores a se proteger de futuras oscilações de preço de um ativo. Por exemplo, moedas, ações, índice, commodity ou taxa de juros. Afinal, a negociação dos contratos futuros ocorre em ambiente de bolsa com o preço que os investidores acreditam que esses ativos valerão no futuro.

Além disso, é possível utilizar esses contratos em estratégias de lucro com especulação de curto prazo. Nelas, acompanha-se de perto a variação de preços do ativo, mas não é preciso fazer um grande aporte financeiro.

O chefe da área de investidores estrangeiros na Nova Futura Investimentos, André Schierz, explica que os ETFs podem servir como reserva de valor. Portanto, você compra e fica com aquele ativo indefinidamente. Por outro lado, segundo ele:

“O contrato futuro não é um ativo, é um derivativo, em que o investidor tem uma exposição maior ao mercado sem precisar realizar o aporte total de capital, possibilitando operações de giro curto ou ‘day trading’”

Portanto, para Schierz, o contrato futuro de Bitcoin terá uma boa acolhida entre os investidores acostumados com contratos de mini índice e mini dólar. Esses instrumentos de curto prazo também estão disponíveis na B3.

Como vai funcionar o produto


Como já havia sido revelado, o contrato futuro de Bitcoin utilizará como referência o índice Nasdaq Bitcoin Reference PriceTM Index (NQBTCTM). O valor do contrato será equivalente a 0,1 Bitcoin. Portanto, equivalerá a 10% do valor da criptomoeda. Além disso, o vencimento dos contratos será mensal.

Por fim, nesse tipo de contrato, a liquidação é exclusivamente financeira. Portanto, não há compra e venda de criptomoedas. Os resultados financeiros das negociações ocorrem sobre a variação de preço do Bitcoin.

Desde o lançamento, o contrato contará com formadores de mercado. Ou seja, agentes que negociam o produto e ajudam a trazer liquidez e confiabilidade para a formação de preços. Além disso, o horário de negociação será das 9h às 18h30.

O que é um mercado futuro


Lembremos que, no mercado futuro, o investidor se compromete a comprar ou vender um ativo em uma data futura por um preço pré-determinado. Esse tipo de investimento é feito de acordo com o perfil de risco e estratégia do investidor.

Segundo a B3, o investidor de varejo precisará depositar na corretora uma margem mínima de R$ 100 por contrato para negociar o futuro de Bitcoin. Além disso, os investidores que mantiverem posições nos contratos (que não zerarem suas posições até o fim do pregão), deverão depositar o equivalente a 0,1 Bitcoin, 10% do valor da criptomoeda em reais.

Aliás, segundo dados do Cointrader Monitor, o valor do Bitcoin no Brasil atingiu por volta de R$ 330 mil recentemente.

Em nota, a B3 explicou que esse depósito da margem de garantia “é um mecanismo usado para garantir que ambas as pontas da operação cumpram com a obrigação financeira”. Como explica Marcos Viriato, presidente da Parfin:

“Para negociar um ETF, o investidor tem que desembolsar 100% do valor da cota. Já em relação ao contrato futuro, o investidor tem a exposição ao ativo, mas deposita apenas uma margem. É uma exposição diferente.”

Além disso, o chefe de ativos digitais da Empiricus Research, Valter Rebelo, explica que nos contratos futuros também é possível “entrar vendido”. Portanto, é possível lucrar até com uma correção negativa, por exemplo. Essa é uma estratégia em que o investidor especula sobre a queda dos preços e vende um ativo que não possui.

Por fim, o sócio da Fuse Capital, João Gabriel Bernardes, destaca que os contratos futuros tendem a ser mais baratos e mais rápidos. Afinal, segundo ele:

“Um gestor de um fundo multimercado consegue entrar e sair da posição de uma maneira muito fácil e com execução muito rápida, diferente de um ETF que depende muito da liquidez do próprio ETF.”

Portanto, segundo Bernardo, outra coisa que os contratos futuros trazem para o mercado como um todo é a liquidez.

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