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Estudo indica que mais de US$ 800 bilhões de dólares em Bitcoin foram perdidos para sempre

Com base em um estudo de 2020 da Cane Island Digital Consultants que estimou que, a cada ano, 4% do total de Bitcoin em circulação é perdido permanentemente. Timothy Peterson, um dos diretores da empresa, uma firma de consultoria de investimentos, estimou em 6 milhões a quantidade de bitcoins que já foram perdidos desde a criação da criptomoeda mais conhecida.

Essa quantidade equivale, às cotações atuais, a pouco mais de US$ 160 bilhões de dólares, ou cerca de R$ 900 bilhões de reais. As cifras realmente impressionam, contudo, se considerarmos o mercado cripto como um todo, muito mais dinheiro foi “jogado fora” com a perda de acesso a tokens.

Estima-se que mais de US$ 1 bi em Ether tenha sido perdido

Há alguns dias, Conor Grogan, que é diretor de estratégia de produtos e operações comerciais da exchange Coinbase, postou no Twitter sua análise da questão dos tokens de Ether perdidos. Ele disse que, entre contratos com defeito, erros de digitação e equívocos de usuários, ele sabia de 636 mil tokens de Ether que tinham sido permanentemente perdidos. 

Isso é equivalente a US$ 1,15 bilhões de dólares. Segundo ele, os tokens perdidos representam cerca de 0,50% de todo o suprimento atualmente existente de Ether.

Com base nessa situação, o executivo constata que o mundo cripto, às vezes, pode ser de difícil compreensão, mas vê um lado positivo nessas perdas. Isso porque se trata de uma quantidade não desprezível de Ether que não poderá mais ser vendida, o que colabora um pouco para a sustentação do preço do token nativo da rede de blockchain Ethereum.

Entre os maiores perdedores de Ether, segundo Grogan, estão:

  • Web3 Foundation: que tem 306 mil tokens de Ether (o que equivale pouco mais de meio bilhão de dólares) presos por causa do bug Parity Multisig;
  • Quadriga: que perdeu 60 mil tokens de Ether (pouco mais de US$ 100 milhões de dólares);
  • Akutars: um projeto de NFTs em Ethereum, que perdeu mais 11 mil tokens de Ether (uns US$ 20 milhões de dólares).

Além disso, há o caso de um grupo que mandou, por motivo desconhecido, 24 mil tokens de ETH (cerca de US$ 40 milhões de dólares) para um burn address (“endereço de queima”, usado para tirar tokens de circulação, o que tem como finalidade diminuir a quantidade de tokens em circulação).

Embora a quantidade (e o valor) de tokens de ETH perdidos (pelo menos segundo o conhecimento de Grogan) seja considerável, os números correspondentes no caso do Bitcoin são muito superiores.

Para Peterson, quantidade de Bitcoins em circulação atualmente não deve crescer muito

Como já foram minerados cerca de 19,3 milhões de bitcoins e o número total de bitcoins minerados não deverá passar de 21 milhões, isso significa que há só mais 1,7 milhões de bitcoins a serem minerados. No entanto, parte destes Bitcoins também será perdida, assim como, no futuro, serão perdidos bitcoins que, por enquanto, ainda estão em circulação.

Dos dados disponíveis, Peterson conclui que a atual quantidade de bitcoins em circulação ou que podem voltar à circulação (13,3 milhões, o número já minerado menos a quantidade perdida definitivamente) é mais ou menos a quantidade que estará disponível para negociação durante o resto da vida dele e de seus leitores.

Em uma linha parecida com aquela adotada por Grogan, Peterson citou uma das postagem em fóruns que o criador do Bitcoin, conhecido apenas pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, fez antes de desaparecer do mundo online. Na época ele disse que os tokens perdidos aumentavam um pouquinho o valor daqueles retidos pelos outros e, portanto, funcionavam como uma pequena doação à coletividade dos detentores da criptomoeda.

O diretor da Coinbase tem postado tuítes em que assume uma posição bullish (“de touro”, otimista com relação à cotação futura do ativo) quanto ao Bitcoin. Entre outras coisas, ele já recomendou que os investidores não vendessem seus bitcoins com base nas políticas anunciadas pelo governo americano. Isso porque o ativo duraria mais do que elas e já afirmou que a história indica que há 90% de chances de que a cotação do Bitcoin suba.

Estudo separa Bitcoins perdidos daqueles guardados por muito tempo

O estudo citado pelo diretor de Coinbase distingue entre os bitcoin perdidos permanentemente e aqueles que apenas estão guardados há muito tempo, por exemplo, por adeptos da estratégia Buy and Hold (algo como “Comprar e Segurar”), em que o investidor compra ativos e retém-nos na carteira por muito tempo. 

Afinal, os bitcoins nesta última situação podem voltar a circular dependendo de fatores objetivos e subjetivos, inclusive a cotação da criptomoeda. O documento da Cane Island Digital Consultants menciona alguns casos célebres de bitcoins perdidos para sempre, como o de James Howells, um trabalhador do ramo da Tecnologia da Informação que, por engano, descartou um hardware em que estavam armazenados 7.500 bitcoins (mais de US$ 200 milhões de dólares à cotação atual).

Ocasionalmente, os indivíduos extraviam ou perdem suas chaves digitais, o que pode prejudicar a segurança de seus ativos cripto. Um exemplo proeminente disso, também citado no estudo da firma de consultoria, é demonstrado por ninguém menos que o famoso empresário e inovador Elon Musk, que perdeu as chaves que protegiam seus bitcoins, o que se tornou um tópico notável de discussão.

Falecimentos também são causas da retirada de milhões de tokens de circulação

Em outros casos, especialmente infelizes, indivíduos faleceram sem ter providenciado a transferência de suas chaves digitais, levando à perda potencial de quantidades significativas de criptomoedas. Isso destaca a importância de ter um plano patrimonial adequado e garantir que sejam tomadas providências para a guarda e a transferência de ativos digitais após a morte.

Um excelente exemplo disso, também mencionado no estudo da Cane Island Digital Consultants, é o caso de Matthew Mellon. Ele foi um dos primeiros investidores na Ripple e detinha quase todas as suas moedas Ripple, estimadas em impressionantes US$ 500 milhões de dólares, em carteiras frias (ou cold wallets, carteiras que não estão conectadas à internet) espalhadas pelo território estadunidense.

Matthew Mellon

Em resumo, a perda de tokens é um tema recorrente no mundo das criptomoedas, com diferentes razões para sua ocorrência. Embora seja obviamente negativo para aqueles que a sofrem, ela pode ter um impacto positivo na sustentação dos preços, ajudando a reduzir a oferta disponível. 

Aqueles que quiserem evitar perdas de criptomoedas devem tomar medidas de segurança adequadas para garantir que os citados ativos estejam a salvo de falhas técnicas ou humanas. E, claro, é essencial que os investidores se mantenham atualizados e informados sobre as últimas tendências e desenvolvimentos no mercado cripto para poderem tomar decisões informadas de investimento.

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