Halving do Bitcoin se aproxima — Uma retrospectiva de 15 anos de mineração de criptomoedas

Pedro Augusto
| 7 min read

À medida que se aproxima o próximo halving do Bitcoin, as operações de mineração de criptomoedas voltam a ganhar destaque. Esse aspecto crucial da estrutura econômica do BTC não apenas protege seu fornecimento limitado, mas também dá apoio ao seu potencial valor a longo prazo.

No entanto, este evento de halving está preparado para apresentar tanto oportunidades quanto desafios para os mineradores. Na verdade, este quarto halving pode trazer desafios nunca antes vistos no setor de mineração de criptomoedas.

Desde a criação do Bitcoin por Satoshi Nakamoto com a mineração do bloco gênese em 2009, a tecnologia por trás da mineração de Bitcoins passou por uma transformação significativa. O que começou com a mineração simples por CPU agora evoluiu para a era de rigs de mineração ASIC especializados. Isso marcou um grande avanço na tecnologia do Bitcoin e consolidando seu status como a criptomoeda mais proeminente em todo o mundo.

Ao longo da última década e meia, o setor da mineração de criptomoedas presenciou várias mudanças, colocando em destaque vários players fundamentais da indústria.

Evolução tecnológica na mineração de criptomoedas


Nos estágios iniciais da mineração, a falta de popularidade e o baixo valor do Bitcoin atraíram um pequeno grupo de participantes, resultando em uma dificuldade de mineração baixa que permitia o uso de CPUs simples para as atividades de mineração. O cenário começou a mudar à medida que o Bitcoin ganhou destaque, exigindo a potência superior das GPUs (placas de vídeo) em tarefas de computação e inaugurando a era da mineração por GPU.

A evolução da mineração de Bitcoin em direção à especialização marcou uma fase significativa à medida que o valor da criptomoeda aumentava gradualmente, compelindo os mineradores a buscar métodos mais eficientes de mineração.

Essa busca levou à criação de mineradores FPGA (em português “Arranjos de Portas Programáveis em Campo”) projetados especificamente para a mineração de Bitcoin e, posteriormente, à introdução dos mineradores ASIC. Esses mineradores ASIC representaram um salto quântico em eficiência de mineração, superando vastamente as GPUs.

Mais de 50% da mineração do Bitcoin depende de energia renovável

Avanços tecnológicos continuaram impulsionando o poder computacional dos mineradores ASIC de um inicial 100GH/s para mais de 100TH/s. Esse aumento expressivo no desempenho do hardware trouxe à tona os custos e as implicações ambientais da mineração.

Em um movimento em direção à sustentabilidade, a indústria de mineração de criptos tem se voltado cada vez mais para fontes de energia renováveis. O analista de ESG Daniel Batten relata que cerca de 52,4% da mineração de Bitcoin agora depende de energia renovável, um número que se espera aumentar.

O surgimento dos “pools” de mineração de criptomoedas


mineração de criptomoedas

À medida que a tecnologia de mineração avançava em um ritmo acelerado e a dificuldade de mineração se intensificava, os mineradores perceberam que as chances de sucesso na mineração individual eram extremamente baixas.

Mesmo com os equipamentos de mineração mais sofisticados, a probabilidade de alcançar sucesso por conta própria era inferior a 0,0001%. Essa dura realidade impulsionou a criação de pools de mineração, entidades colaborativas que unem o poder computacional de vários mineradores para compartilhar recompensas proporcionalmente à contribuição de cada participante, melhorando assim a estabilidade financeira dos envolvidos.

A chegada dos pools de mineração revolucionou o cenário da mineração, oferecendo um suporte vital para mineradores com recursos computacionais limitados. Essas pools facilitam a participação e o acesso às recompensas de mineração, representando uma mudança significativa em relação ao modelo de minerador solitário.

Inicialmente organizadas por meio de plataformas básicas como canais IRC (Internet Relay Chat), os pools de mineração evoluíram. Eles agora adotam algoritmos complexos para gerenciar tarefas e distribuir pagamentos. A evolução dos métodos de pagamento tradicionais, como Pay Per Share (PPS) e Pay Per Last N Shares (PPLNS), para sistemas mais sofisticados e justos, como PPS+ e Full Pay-Per-Share (FPPS), reflete essa transformação.

Esforço coletivo dos pool aprimoram a segurança da rede

A última década viu um dinamismo de altos e baixos no setor de pools de mineração. Em suma, alguns destes se dissolveram, enquanto outros sustentaram operações por quase uma década.

Os pools duradouros se tornaram pilares de confiabilidade, liderando em inovação tecnológica, avanços de segurança e atendimento ao cliente. Eles oferecem soluções de mineração robustas, que se tornaram indispensáveis para os mineradores individuais.

À medida que a indústria de mineração amadureceu, o papel e a importância das pools de mineração aumentaram dramaticamente. Apesar da natureza competitiva entre os diversos pools, eles desempenham coletivamente um papel fundamental no suporte à rede Bitcoin.

Esse esforço coletivo não apenas aprimora a segurança da rede, mas também facilita atualizações importantes. A interação entre competição e colaboração entre os pools de mineração é uma prova do espírito do ecossistema de finanças descentralizadas. Como resultado, esta abordagem impulsiona melhorias no serviço e contribui para o crescimento sustentado e a estabilidade do ecossistema Bitcoin.

Os desafios e oportunidades que os halvings trouxeram


O halving do Bitcoin, um aspecto crucial do protocolo do Bitcoin, desempenha um papel significativo nas atividades de mineração e na influência sobre o mercado de criptomoedas em geral. Esse evento desencadeia uma redução nas recompensas imediatas para os mineradores. O que, embora possa aumentar o valor de mercado do Bitcoin e oferecer aos mineradores a oportunidade de valorização de seus ativos, também resulta em uma diminuição na velocidade com que eles podem acumular Bitcoin.

Com a chegada do quarto halving do Bitcoin, a rede de mineração está passando por uma expansão sem precedentes. Esse avanço está transformando o setor em uma indústria de vários bilhões de dólares por ano. Contudo, se o preço do Bitcoin não aumentar, equipamentos de mineração essenciais, como o Antminer S19, podem se tornar obsoletos. O que pode expor mineradores e investidores a uma volatilidade de mercado ainda maior.

Ao olhar para trás, ao longo dos 15 anos de trajetória do Bitcoin, a criptomoeda vivenciou uma série de inovações tecnológicas e expansão comunitária. Espera-se que o futuro traga mais organizações voltadas à mineração, trabalhando juntas para apoiar e proteger o avanço do sistema financeiro descentralizado do Bitcoin.

Brasil pode se tornar um centro de mineração de Bitcoin


Brasil é o país que mais investiu em ativos digitais na última semana de janeiro

O especialista Allex Ferreira aponta que o Brasil tem potencial para se destacar como uma potência na mineração de Bitcoin na América Latina. Esse status se deve a um ambiente favorável que se moldou nos últimos anos pela abertura do mercado de energia.

Esta liberalização facilita o crescimento de vários setores econômicos, com especial ênfase na indústria de mineração de criptomoedas.

Ferreira destaca que a flexibilidade na escolha de fornecedores de energia e a capacidade de negociar preços tornam a mineração de Bitcoin mais lucrativa e atraente para investidores que buscam novas oportunidades de negócio.

O especialista ressalta a importância da abundância de recursos naturais, condições climáticas favoráveis e os baixos custos de eletricidade. Como resultado, esses fatores que colocam o Brasil em uma posição privilegiada para se tornar um centro de mineração de Bitcoin de destaque.

Temperaturas médias de 20 graus favorecem a mineração de criptomoedas

Além disso, o especialista enfatiza a crescente importância da energia sustentável para a indústria de mineração. O Brasil, com sua riqueza de recursos naturais, oferece aos mineradores a possibilidade de acesso a fontes de energia limpas e renováveis.

As condições climáticas do país, com temperaturas médias que não ultrapassam significativamente os 20 graus, são ideais para evitar o superaquecimento dos equipamentos. Isto contribui ainda mais para o cenário positivo da mineração de Bitcoin no Brasil.

Crise dos mineradores nos EUA também impulsiona a adoção no Brasil

O especialista destaca que os mineradores de Bitcoin nos Estados Unidos enfrentam uma possível crise, tornando o Brasil um destino ainda mais atraente para essa atividade.

Em resumo, a reavaliação das operações norte-americanas e a busca por novos locais na América para a mineração de Bitcoin evidenciam uma tendência de migração no setor.

Diante das adversidades, muitos desses mineradores estão explorando alternativas mais vantajosas, como a entrada no mercado de energia. Através da compra e venda de eletricidade, eles buscam capitalizar sobre as variações nos preços, com o objetivo de diminuir seus custos operacionais.

Essa abordagem, porém, pode não ser acessível para a maior parte dos mineradores, de acordo com o especialista.

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