Operação Ouranós: PF desmonta pirâmide de criptomoedas que movimentou R$ 1 bilhão

| 4 min read

Operação Ouranós

Na terça-feira (28), a Polícia Federal (PF) cumpriu 28 mandados de busca e apreensão como parte da Operação Ouranós. O alvo era uma pirâmide de arbitragem de criptomoedas.

As ações ocorreram nas cidades de São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Palhoça e Balneário Camboriú (SC). A operação cumpriu medidas cautelares contra 12 pessoas, duas delas com monitoramento eletrônico. A PF também visitou mais de 50 empresas usadas no esquema.

Além disso, a PF bloqueou inicialmente R$ 400 milhões em bens dos envolvidos. Isso inclui contas bancárias, fundos de investimento, imóveis, veículos e objetos diversos.

PF confiscou bens de luxo durante Operação Ouranós


A PF divulgou um comunicado sobre a operação que inclui a lista de bens apreendidos:

  • Mais de 111 contas bancárias
  • Três fundos de investimento
  • 473 imóveis
  • 40 veículos
  • 10 embarcações
  • Uma aeronave

Também foram divulgadas imagens dos bens apreendidos. Os registros incluem fotos de carros de luxo, embarcações e até mesmo de uma aeronave usada por envolvidos no esquema. Por fim, há imagens de relógios e cheques que estavam em posse dos fraudadores.

Confira as imagens dos bens apreendidos.

Operação Ouranós
Imagens – PF

Operação Ouranós Operação Ouranós Operação Ouranós Operação Ouranós Operação Ouranós

Entenda o esquema desarticulado pela PF


A organização criminosa que foi alvo da PF operava de forma semelhante a uma pirâmide financeira. Para operar, ela utilizava uma série de empresas e agentes do mercado de capitais sem autorização nem registro junto ao Banco Central (BC) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Enquanto esteve ativo, o esquema captou recursos acima de R$ 1 bilhão de aproximadamente 7 mil investidores. A organização se apresentava como uma distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM). Então, realizava oferta pública de contratos investimentos coletivos (CIC) para supostamente arbitrar a compra e venda de criptomoedas.

Segundo a PF, o negócio atraiu investidores de 17 estados brasileiros, além de pessoas que moram no exterior. No entanto, tudo isso ocorria sem qualquer tipo de registro, controle ou autorização dos órgãos competentes.

Após a captação, os recursos eram transferidos entre inúmeras contas de diferentes empresas. Portanto, seu patrimônio era ocultado das autoridades por meio de um processo conhecido como “centrifugação de dinheiro”. Durante as investigações, a PF rastreou recursos ilícitos fracionados em mais de uma centena de contas.

Origem e enquadramento dos crimes


A operação realizada na terça-feira foi resultado de uma longa investigação da PF, que se estende desde 2020. A organização criminosa nasceu em Balneário Camboriú (SC). Em seguida, chegou a Curitiba (PR) e a outras cidades.

Os envolvidos no esquema deverão responder por diversos crimes, incluindo:

  • Lavagem de dinheiro
  • Organização criminosa
  • Operação de instituição financeira sem autorização
  • Exercício ilegal de assessoria de investimento
  • Oferta irregular de valor mobiliário

Além das fraudes empresariais e fiscais e dos crimes contra o sistema financeiro nacional, a PF detectou possíveis ligações com o tráfico de drogas. Nesse caso, a suspeita é de que parte dos investimentos recebidos pela organização veio dessa atividade.

Gestora da Faria Lima está entre empresas investigadas


A operação da PF chegou ao coração financeiro de São Paulo (SP). Afinal, policiais realizaram buscas na sede da gestora de investimentos Titanium Asset, localizada na Avenida Faria Lima.

A Titanium Asset oferece fundos regulados de criptoativos. Portanto, ainda não está claro se ela teve participação ativa nas fraudes ou se os membros da organização criminosa a usaram para manter fundos do esquema.

Os três fundos de investimento bloqueados pela PF estão justamente na Titanium Asset. Aliás, estavam. Afinal, a empresa foi afastada temporariamente da gestão dessas carteiras como desdobramento da operação policial.

Por ordem judicial, a administradora Vórtx se tornou gestora desses fundos em caráter temporário. Além disso, estão suspensos os saques dessas carteiras.

Em declaração ao Valor Econômico, a Titanium Asset negou envolvimento com a fraude e disse que está trabalhando para reverter a decisão.

“A Titanium Asset esclarece que a empresa não está envolvida e ainda não tem informações detalhadas do procedimento investigativo que motivou a operação desta manhã”

Os fundos afetados na Titanium Asset incluem os seguintes:

  • Estrutura: 362 cotistas e patrimônio de R$ 73 milhões
  • Acesso Cripto  83 cotistas e patrimônio de R$ 5,8 milhões
  • Galaxy: 51 cotistas e patrimônio de R$ 3 milhões

Segundo a empresa, esses são fundos abertos. Portanto, o bloqueio teria afetado centenas de investidores.

Leia mais: